sábado, 26 de janeiro de 2013

Nasa mostra que seca de 2005 afetou área da Amazônia por anos


Um estudo da agência espacial americana (Nasa) revela que uma área da floresta amazônica com duas vezes o tamanho da Califórnia (equivalente a mais de 800 mil quilômetros quadrados) continuou sofrendo os efeitos de uma grande seca que começou em 2005. Os resultados foram publicados na revista “PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
A pesquisa sugere que a floresta tropical amazônica pode estar mostrando os primeiros sinais de degradação em larga escala devido à mudança climática.
Amazônia mostra sinais de degradação devido a mudanças climáticas (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech)Oito anos depois, os danos causados pela seca de 2005 ainda são visíveis (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech)
A equipe internacional de pesquisadores, liderados pela Nasa, avaliou mais de uma década de dados captados por satélite entre 2000 e 2009 sobre a Amazônia. A análise também incluiu medições da precipitação das chuvas tropicais,  do teor de umidade e da cobertura florestal.


Os resultados revelam que, durante o verão de 2005, mais de 700 mil quilômetros quadrados (70 milhões de hectares) de floresta no sudoeste da Amazônia enfrentaram uma extensa e severa seca.


A “megasseca”, como é chamada pelos pesquisadores, provocou danos generalizados à cobertura florestal, com a morte de galhos e quedas de árvores, especialmente as maiores e mais antigas, que são mais vulneráveis do que às demais por oferecem abrigo ao restante da Embora os níveis de precipitação tenham voltado ao normal nos anos seguintes à seca, os prejuízos continuaram durante a segunda grave seca que começou em 2010, acreditam os cientistas. Esse “golpe duplo”, afirma o artigo, sugere um efeito generalizado das mudanças climáticas nas regiões sul e oeste da Amazônia.


"Esperávamos que a cobertura da floresta se recuperasse depois de um ano com o vigor da nova vegetação, mas o dano parece persistir até a seca subsequente, em 2010", afirmou o coautor do estudo, Yadvinder Malhi, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Os pesquisadores atribuem a seca de 2005 ao aquecimento das temperaturas da superfície do mar do Atlântico tropical. "O mesmo fenômeno climático que ajudou a formar os furacões Katrina e Rita, ao longo da costa dos EUA, em 2005, provavelmente também causou a grave seca no sudoeste da Amazônia", acredita Sassan Saatchi, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, na Califórnia.
De acordo com ele, o estudo indica que as “megassecas” podem ter efeitos duradouros sobre as florestas tropicais. “Nossos resultados sugerem que, se as secas continuam ocorrendo em intervalos entre cinco e 10 anos, [...] elas podem alterar a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas da Amazônia".
Amazônia mostra sinais de degradação devido a mudanças climáticas (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech/GSFC)Em vermelho e amarelo, gráfico mostra as áreas mais afetadas pela seca em durante os meses de junho, julho e agosto de 2005. (Foto: Divulgação/NASA/JPL-Caltech/GSFC)



Em 2005, cerca de 30% (1,7 milhões de quilômetros quadrados) da bacia amazônica foi afetada, com mais de 5% da floresta submetida à seca, afirma o estudo. Cinco anos depois, a seca de 2010 afetou quase metade de toda a extensão da Amazônia. Os dados obtidos via satélite demonstram ainda um aumento no número de incêndios florestais e da mortandade de árvores.
De acordo com o site globoamazonia.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Efeitos da seca podem durar anos na Floresta Amazônica


Segundo estudo publicado na revista PNAS, efeitos a longo prazo da seca de 2005 colocam em risco a sobrevivência da floresta

A Floresta Amazônica pode demorar vários anos para se recuperar dos efeitos de uma grande seca, colocando em risco a sua própria sobrevivência caso esses eventos passem a ocorrer com mais frequência - como preveem alguns modelos de mudanças climáticas para a região nas próximas décadas. O alerta é de um estudo publicado na última edição da revista PNAS, que avaliou, pela primeira vez, os efeitos a longo prazo da grande seca de 2005 na Amazônia.
Fonte:ig

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Matas Ciliares, artigo de Roberto Naime


Curso d’água sem mata ciliar preservada e com muitas gramíneas invasoras. Foto do Projeto de Recuperação de Matas Ciliares (PRMC) da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo



 Cílios são a denominação que atribuímos aos fios de cabelo existentes sobre nossos olhos e que tem importantíssima função de proteger nosso aparelho de visão. No meio científico existem inúmeras definições sobre as matas ciliares e suas funções, mas inegavelmente a inspiração original da denominação são os cílios que exercem função análoga para nossos olhos.

As matas ciliares criam um ecossistema específico ao redor dos cursos de água superficial, criando um habitat para as espécies faunísticas que tem em comum com as espécies florísticas necessitar de uma fonte permanente e regular de recursos hídricos.

As matas ciliares atuam no sentido de estabilizar as encostas, com suas raízes tendo a função de pequenos e naturais estaqueamentos que evitam a instabilização dos taludes verticais ou inclinados formados nos limites das caixas de drenagem dos cursos de água.

A vegetação mantém a temperatura diferenciada na faixa de cobertura da mata ciliar favorecendo seu próprio desenvolvimento e da fauna própria regional associada e contribui muito para a estabilização das encostas tanto naturais quanto induzidas pela ação antrópica. A ausência de vegetação é um fator extremamente relevante para a ocorrência de deslizamentos em encostas como observados em regiões geográficas do estado do Rio de Janeiro.

A destruição sistemática das matas ciliares decorre das atividades agropastoris e da pouca compreensão que se tem da importância da função que estas estruturas de flora exercem. A pecuária impede a regeneração natural das áreas de mata ciliar degradadas, enquanto a agricultura é patrocinadora de programas de drenagem de áreas de várzea onde frequentemente as matas ciliares ocorrem, e com a drenagem tende a ocorrer a falta de água no solo e a destruição das matas ciliares e seus ecossistemas associados.

As matas ciliares também são destruídas nas encostas nas regiões em que protegem cursos de água sem estarem inseridas em bacias hidrográficas com a ocorrência de várzeas.
As matas ciliares constituem corredores naturais que permitem tanto para a própria flora, quanto para a fauna associada no ecossitema local, que as espécies possam ganhar mobilidade, se reproduzir e garantir a biodiversidade específica de cada região que exerce uma função intangível no equilíbrio homeostático do conjunto holístico.

Isto justifica a enorme discussão para que os legisladores não permitam que a recuperação destas matas ciliares seja executada também com espécies exóticas, pois apenas em função de atrativos financeiros buscando reduzir custos de recuperação, se coloca em risco todo um conjunto de características próprias e locais dos ecossistemas.

Estas peculiaridades garantem a riqueza e o desenvolvimento pleno do potencial da biodiversidade local, que é o patrimônio maior e intangível do meio natural do qual fazemos parte e que deve ser preservado a qualquer custo para que as condições de qualidade ambiental sejam mantidas.

Muitas vezes estão ocorrendo definições de modelos de recuperação de matas ciliares e até mesmo de outros tipos de áreas degradadas sem considerar a importância extrema das características geológicas e geomórficas dos locais e de sua flora e fauna decorrente associada.

É necessária a institucionalização da recuperação das matas ciliares, aliada à práticas de conservação e manejo adequado dos terrenos, capazes de integrar políticas agrícolas, de recursos hídricos, florestais e ambientais, num só sistema, integrado, eficiente, eficaz e permanentemente monitorado por fatores variáveis que sejam relevantes, e adequados sob o prisma financeiro e operacional também.

Só assim podem ser reconstituídos os ecossistemas locais e a biodiversidade pode ser mantida e ampliada em todo seu potencial. E todo o conjunto potencialize a satisfação mínima de recursos naturais que as futuras gerações irão demandar para manutenção de sua qualidade de vida.

Dr. Roberto Naime, Colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 06/06/2012

Investimentos para reduzir desmatamento podem sustentar até 8 milhões de novos empregos


Cerca de US$ 30 bilhões que são gastos, por ano, em investimentos internacionais para a redução de desmatamentos e da degradação das florestas poderiam sustentar até 8 milhões de novos empregos nos países em desenvolvimento, mostra o relatório Rumo ao Desenvolvimento Sustentável: Oportunidades de Trabalho Decente e Inclusão Social em uma Economia Verde, divulgado ontem (31) pela Iniciativa Empregos Verdes.

Especialistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Internacional de Empregadores (OIE) e da Confederação Sindical Internacional (CSI) mostram no documento como uma economia favorável ao meio ambiente pode garantir empregos e trabalho decente em qualquer país.

Na Alemanha, um programa de renovação de prédios para melhorar a eficiência energética, por exemplo, tem mobilizado 100 bilhões de euros em investimentos. Além da economia com as contas de energia, a medida criou quase 300 mil empregos diretos por ano.

Segundo o documento, pelo menos metade da força de trabalho mundial (cerca de 1,5 bilhão de pessoas) será afetada caso os países adotem a economia verde como novo padrão. As mudanças atingiriam todos os setores, mas teriam maior impacto em atividades como a agricultura, silvicultura, pesca, energia, indústria manufatureira, reciclagem, construção e o transporte.

“Dezenas de milhões de empregos já foram criados por essa transformação. Por exemplo, o setor de energia renovável já emprega cerca de 5 milhões de trabalhadores, mais que o dobro do número de empregos entre 2006 e 2010”, destacam os especialistas.

Outra fonte de empregos verdes apontada pelo levantamento é a da eficiência energética, principalmente na indústria da construção, que foi o setor mais afetado pela crise econômica. Os especialistas da OIT, do Pnuma, da OIE e da CSI dizem ainda que a reciclagem é decisiva para a questão da eficiência do setor, com a redução de desperdiço, o ratamento adequado de resíduos e a recuperação de materiais de valor, além do potencial de inclusão social e redução da pobreza.

“É provável que a produção de energia fóssil experimente a perda de empregos. São necessárias politicas para garantir uma transição justa para os trabalhadores”, destaca, como exemplo, o estudo.

Reportagem de Carolina Gonçalves, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 01/06/2012

Operação combate extração ilegal de madeira no Amazonas


A “Operação Soberania” do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas em parceria com o Ibama já apreendeu 3 mil metros cúbicos de madeira no sul do Estado desde o início de abril.

Concentrada em quatro cidades do interior do Amazonas, localizadas ao longo das rodovias BR-319 e BR-230, a operação combate o desmatamento, além da extração e beneficiamento ilegal de madeira na região.

Segundo o Tenente do Batalhão Ambiental, Bruno Pereira, os trabalhos não tem data para terminar e estão focadas na identificação dos proprietários de terras que derrubaram floresta recentemente, além do patrulhamento para identificar madeiras escondidas na selva pelos responsáveis pelo corte ilegal. (Fonte: G1)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Plantio em florestas nativas pode render mais que pecuária


O plantio convencional da seringueira rende uma média de R$ 4.500,00 por hectare por ano.

Recuperar áreas desmatadas em São Paulo antes ocupadas pela Mata Atlântica com o plantio de espécies nativas e exóticas pode ser mais rentável do que a atividade pecuária, afirma o diretor-executivo do International Institute for Sustainability (IIS), Bernardo Strassburg. A ideia é que o produtor ganhe com recuperação do solo, venda de árvores e no recebimento por serviços ambientais. Ele explica que estão em desenvolvimento modelos de instalação, produção e comércio para seringueira e palmeira-jussara.

Segundo Strassburg, a intenção é que as espécies possam ser consideradas modelo desse tipo de atividade, que une produção e conservação, pois ambas têm plantio difundido pelo País e podem continuar sendo lucrativas se misturadas com outras espécies da Mata Atlântica.

O plantio convencional da seringueira rende uma média de R$ 4.500,00 por hectare por ano. Com a pecuária, a média é de R$ 100,00 por hectare por ano. "Temos de ver agora que impacto o plantio da seringueira em florestas nativas tem nesse rendimento", diz. Especialistas afirmam que a rentabilidade da seringueira em locais de mata nativa pode chegar a ser a mesma de uma plantação convencional. "Mesmo que caia pela metade ainda é maior do que a da pecuária."

O objetivo é juntar esforços para promover a utilização de florestas nativas para fins comerciais, para que ela seja vista pelos produtores rurais como uma solução rentável, não um problema. Entretanto, especialistas apontam que o desafio principal para o desenvolvimento de um plano de implantação de florestas nativas com fins econômicos é acabar com o gargalo na instalação das florestas, pois mercado para comercializar os produtos já existe.

"Regenerar florestas sai mais caro do que implantar qualquer outro tipo de atividade rural", afirma a representante do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais, Maria José Zákia. O preço para a restauração varia de R$ 4.000,00 a R$ 14.000,00 por hectare. O do plantio de eucalipto, por exemplo, é de cerca de R$ 2.500,00 por hectare.

Para Maria, primeiro é necessário investir em tecnologia, metodologia e acesso à informação. "Quem quer plantar eucalipto tem informação fácil. Silvicultura de nativa não pode ser algo só para especialista." Ela diz que o conhecimento sobre essas culturas evitaria o desperdício de recursos. "Quem gastou R$ 14.000,00 para recuperar um hectare com espécie nativa o fez da maneira errada." Para ela, com a disseminação do conhecimento e uso tecnologias mais modernas, é possível reduzir o custo com o plantio de nativas para algo em torno de R$ 4.000,00.

Serviços Ambientais - Mesmo com uma possível redução no custo de implantação das florestas nativas, os valores iniciais continuam sendo elevados. "Nesse primeiro momento, o pagamento de serviços ambientais pode ajudar", diz Maria José.

Segundo Strassburg, cálculos iniciais apontam que, em 2020, o mercado de carbono deverá pagar U$ 25 por tonelada de CO2. Ele afirma que o valor seria suficiente para bancar o custo de restauração da floresta nativa e ainda gerar algum lucro para o proprietário da terra.

Strassburg ressalta que o Brasil, em particular o Estado de São Paulo, tem bastante potencial para crescer em pagamento de serviços ambientais no setor de água e carbono. Para que esse mercado possa ser aproveitado da melhor forma, é importante que o País estude desde já como fazer, instalar e usar da forma mais eficiente possível. Na avaliação de Strassburg, há avanços. "No longo prazo, o mercado de carbono vai acontecer, não vai ter outro caminho. Até 2020 ele vai estar instalado e temos que estar prontos."

Para o representante do IIS, o resultado do proprietário rural com o recebimento por serviços ambientais prestados no plantio de florestas nativas com exóticas é mais atraente no curto e médio prazos. Ele explica que, nos primeiros anos, os recursos são valiosos, mas conforme o produtor começa a cortar árvores para a venda, mesmo que de maneira sustentável, o valor dos serviços vai diminuindo. Por isso, deve ser visto com a função de financiar a transição de áreas rurais desmatadas em áreas recuperadas com florestas nativas.

Fonte: Terra