domingo, 29 de março de 2009

Mudança Magnética na Terra

LONDRES - O Pólo Norte está de mudança. Cientistas encontraram grandes buracos no campo magnético da Terra, sugerindo que os Pólos Norte e Sul estão se preparando para trocar de posição, numa guinada magnética. Um período de caos poderia ser iminente, no qual as bússolas não mais apontariam para o Norte, animais migratórios tomariam o rumo errado e satélites seriam queimados pela radiação solar.

Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites.

A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido. Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles.

A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares.

Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última".

Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar".

O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro.

A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação”.

Governo anunciará ações para reduzir áreas degradadas na Amazônia, diz Minc

Em busca da redução das áreas degradadas na Amazônia Legal, o governo federal anunciará nos próximos dias um conjunto de ações. A lista de municípios que mais desmatam na Amazônia Legal subiu de 36 para 43, mas o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse na terça-feira (24) que confia na possibilidade de redução das áreas degradadas no país.

Segundo ele, uma das iniciativas mais importantes, que será lançada no final do mês, é o programa destinado a fixar "preços sustentáveis" para estimular o extrativismo preservando o meio ambiente.

O objetivo do programa dos preços sustentáveis é estimular os produtores rurais das áreas degradas na região Amazônica que passem a recuperar as terras degradadas a partir do plantio correto de produtos tradicionais. O programa atingirá, inicialmente, a castanha, no Pará, e a borracha, no Acre. O programa será lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos dias 25 e 26 de abril.

Ainda na terça-feira Minc e o ministro Tarso Genro (Justiça) promoveram a 1ª reunião da Comissão Interministerial de Combate aos Crimes e Infrações Ambientais.

Participaram da reunião com os ministros, o presidentes do Ibama, Roberto Messias Franco, e do Instituto Chico Mendes, Rômulo José Fernandes Barreto Mello, além do secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, e os diretores do Departamento da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e da Polícia Rodoviária Federal, Hélio Derenne.

Já nesta quarta-feira (25) Minc vai assinar um acordo para a doação de US$ 140 milhões do governo da Noruega em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O dinheiro será aplicado no Fundo da Amazônia.

Outra iniciativa que será executada em breve, segundo o ministro, é a retomada da Operação Arco Verde. A operação se destina a investir cerca de R$ 1 bilhão para recuperar áreas desmatadas.

De acordo com Minc, os agricultores serão estimulados a regularizar suas áreas a partir de orientações específicas.

Essas orientações aos agricultores e produtores rurais que vivem na região da Amazônia Legal receberão assistência técnica da Embrapa. (Fonte: Renata Giraldi/ Folha Online)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Aprovada normas para inspeção de empresas florestais

Houve uma manifestação formal da representação da Confederação Nacional da Indústrai (CNI), por solicitação da Associação das Siderúrgicas do Brasil (ASIBRAS), solicitando vistas à proposta, mas uma reunião de esclarecimento entre o IBAMA, a CNI, a ASIBRAS e o o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal, dirimiu as dúvidas existentes, e o texto final pode ser apreciado no plenário do Conselho, onde então foi aprovado.

Houveram algumas modificações no texto, mas de caráter de forma e não de mérito. A Resolução estabelece padrões que orientarão os órgãos de fiscalização e as prórpias empresas quanto aos procedimentos necessários relativos à inspeção nas empresas que utilizam madeira de origem nativa. Incorpora uma padronização conceitual, de caráter nacional, que tem por objetivo evitar excessos por parte dos órgãos públicos, e do outro lado, também gera uma maior organização por parte das indústrias para receber essa fiscalização.

A Resolução também revê os índices de conversão de produtos florestais (agora chamado de Coeficiente de Conversão Volumétrico) para menor com o intuito, segundo o IBAMA, de fazer com que cada empresa florestal produza seus próprios Coeficientes adequados às suas caracterísiticas. Há toda uma metodologia apresentada nos anexos da Resolução para orientar a realização destes estudos. A Resolução deve ser publicada nas próximas semanas, entrando em vigor na data de sua publicação.

Fonte: FÓRUM NACIONAL DE ATIVIDADES FLORESTAIS

PIB verde pode se tornar uma realidade

Por Redação da Revista Idéia Socioambiental




Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .

Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.

Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais.

No cenário provável de 2020, de acordo com o estudo, apenas Brasil e Rússia apresentarão patrimônios líquidos "positivos", enquanto os demais países produzirão além do que deveriam. Nesse contexto, a situação geral do mundo será negativa, com um valor deficitário em torno de quatro US$ 3 trilhões.

Por volta de 2050, Brasil e Rússia confirmarão a situação favorável com saldos excedentes de carbono e evidenciarão a importância de suas florestas no cenário global. Já o déficit mundial será elevado para US$ 15,3 trilhões . Nesse contexto - destaca o estudo -, a situação mundial piorará 298%. Enquanto Brasil e Rússia sustentarão uma situação favorável, China e EUA se destacarão como os maiores emissores de carbono e de patrimônio líquido ambiental negativo.

Apesar do cenário pessimista, o Balanço das Nações demonstrou que o déficit global do planeta representa 23,7% do PIB, número que dá espaço para ações corretivas.

Os resultados da pesquisa sinalizam a urgência da transição para uma economia de baixo carbono. Diante do cenário que se visualiza, ou os ecossistemas têm uma recuperação eficiente, ou haverá um ajuste natural da população para cerca de 1 bilhão de habitantes - uma redução de 8 bilhões, considerando que a escassez de recursos prejudicaria a espécie humana.

Considerando a rigidez e inércia apresentadas pelo sistema energético padrão, a pesquisa destaca que não há espaço para uma grande ruptura de modelo. Assim, o estudo toma as condições atuais como referência para os próximos anos, reforçando que - com o aumento no preço do petróleo - se observará um crescimento no mercado de energias alternativas.

Metodologia inovadora

Para compor a base de dados do Balanço das Nações foram incluídos representantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha e Japão.

De acordo com Kassai, o maior desafio na concepção do estudo foi justamente quebrar os próprios conceitos e preconceitos da contabilidade. "Ao reunir profissionais de contábeis percebemos a necessidade de buscar conhecimentos e teorias em outras áreas. Acabamos chegando à conclusão de que a contabilidade só pode sobreviver se tornando interdisciplinar", avalia.

A pesquisa se dividiu em três fases. Na primeira, os saldos residuais de carbono de cada país foram apurados e convertidos para o valor em dólares. Em seguida, o PIB de cada nação foi transformado em unidades equivalentes per capita de número de habitantes e de consumo médio de energia em TEP (tonelada equivalente de petróleo). A última etapa consistiu no fechamento dos balanços contábeis dos países pela técnica de balanço perguntado, um levantamento das informações a partir de questionário que permite diagnosticar a situação financeira.

Após essa fase, os pesquisadores utilizaram a fórmula padrão da contabilidade: ativo menos passivo igual a patrimônio líquido. O ativo foi representado pelo PIB equivalente em dólares per capita; o passivo, pela obrigação ambiental de cada cidadão na meta de redução de carbono; e o patrimônio líquido diz respeito ao saldo residual - superavitário ou deficitário - de cada cidadão ou país em relação às outras nações (Veja quadro).

De acordo com o Balanço das Nações, os sistemas de contas nacionais ainda são incompletos em relação à avaliação dos recursos naturais. O melhor exemplo dessa deficiência é o PIB - Produto Interno Bruto, que não reconhece tais aspectos. Para o economista Sérgio Besserman Vianna, o cálculo do PIB apresenta questionamentos desde que foi criado. "A rigor, os trabalhos para que houvesse contas nacionais em condições de emitir a produção das riquezas de um país se dirigia para o produto interno líquido (PIL) que considerava as amortizações e tornava o cálculo muito complexo. Além disso, havia uma correlação muito forte na evolução do PIB e do PIL. Então optou-se pelo primeiro. Em seguida, houve a percepção do problema da não inclusão dos custos de recursos naturais", explica.

Uma alternativa que tem sido discutida para resolver esse impasse é o chamado PIB verde que oferece um bottom line pelo qual é possível avaliar o quanto os mercados consumidores afetam bens públicos - destaca o Balanço das Nações - permitindo comparabilidade entre períodos para uma mesma nação e entre nações em quaisquer períodos.

Dessa forma, o PIB verde contabiliza todos os bens e serviços públicos, em valores não monetários, como a quantidade de água potável ou o tamanho das áreas verdes de uma cidade.

O patrimônio líquido ambiental (PLA), proposto pelo Balanço das Nações, seria uma forma de avaliação do PIB verde. "Atualmente é moda criticar o PIB, o que se mostra fácil porque a medida permanece até hoje e se manteve forte por longa data. O ponto positivo é que as sociedades estão começando a despertar para uma nova necessidade não apenas centrada no poder econômico", pondera Kassai, autor do estudo.

Governança climática

De acordo com o Balanço das Nações, o lucro com reputação ambiental deve constituir uma nova tendência para a economia nos próximos anos, com base em aspectos como precificação do carbono, investimento em tecnologias de eficiência energética e mudança no atual comportamental do consumo.

Para Besserman, a primeira questão que se coloca nesse contexto, antes mesmo de mensurar, é considerar os custos ambientais na tomada de decisões. Isso ocorrerá primeiramente em relação aos gases de efeito estufa.Segundo o economista, o Brasil já deu um passo importante na direção da redução de CO2 estabelecendo metas para diminuir o desmatamento. No entanto, não manteve outras ações paralelas para ter benefícios concretos. No plano energético, por exemplo, o papel das termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis mais do que compensa a redução das emissões presentes nas metas de desmatamento.

"O Brasil deveria se posicionar para não perder uma grande oportunidade. Na expressão do professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dado que agenda do século XXI inclui obrigatoriamente o tema sustentabilidade como prioridade, o Brasil poderia se posicionar como potência ambiental", destaca o economista.

No contexto mundial, Viana apresenta ressalvas aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seqüestro de carbono por meio de projetos de reflorestamento e manutenção florestal.

Segundo ele, é necessário estabelecer - em Copenhague ou por meio do G20 - uma forma pela qual a governança global consiga responder às mudanças climáticas e também redefinir as transações de crédito de carbono. "As soluções não vão sair das gavetas dos tecnocratas, é preciso que o mercado aposte em diversas alternativas e a sinalização para isso se dá por meio da flexibilização das formas de redução das emissões que propiciem investimentos mais efetivos", destaca.

quinta-feira, 26 de março de 2009

EPA deve definir Gases do Efeito Estufa como ameaça à saúde pública

Por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil




Agência de Proteção Ambiental norte-americana (EPA) demonstra clara intenção de declarar em abril que os gases do efeito estufa fazem mal ao ser humano, o que possibilitaria incluí-los no Clean Air Act

Em 2007, a Suprema Corte dos EUA ordenou à EPA decidir se o dióxido de carbono (CO2) e outros gases do efeito estufa deviam ser considerados nocivos à saúde humana para que fossem enquadrados no Clean Air Act. Isto seria importante, pois possibilitaria a destinação de recursos públicos e novas políticas para o combate ao aquecimento global.

Agora, diversas autoridades ligadas à EPA apontaram que no próximo dia 2, data que marca dois anos da ordem da Suprema Corte, será anunciado que sim, os gases do efeito estufa representam uma ameaça.

“Esta decisão irá oficialmente acabar com a ‘era da negação’ do aquecimento global”, afirmou o deputado democrata Edward Markey, que preside o comitê de mudanças climáticas do congresso norte-americano.

A ordem da Suprema Corte havia sido completamente ignorada pela administração Bush, apesar de já ser consenso entre os especialistas da EPA que era possível incluir os gases do efeito estufa no Clean Air Act.

A provável decisão do próximo dia 2 já teria inclusive sido enviada, no fim da última semana, para o Escritório de Administração e Orçamento para que fosse feita uma revisão. Assim que o Escritório der sua aprovação, a administradora da EPA, Lisa P. Jackson, deve assinar o documento oficializando a determinação de enquadrar os gases do efeito estufa como maléficos ao ser humano.

Clean Air Act

Definido em 1963, o Ato do Ar Limpo (Clean Air Act) reúne várias leis que estabelecem limites para a poluição do ar em geral. Baseado nesse ato, o governo norte-americano consegue impor políticas e financiamentos, assim como multas e cobranças para indústrias poluidoras. Em 1990, novas emendas foram feitas e o Ato estabeleceu um mecanismo de permissões de emissão dos poluentes dióxido sulfúrico (SO2) e óxido nitroso (N2O).

Se o EPA conseguir incluir os gases do efeito estufa no Ato, isso tornará muito mais simples a criação de um mercado de carbono e outras medidas de limite de emissões.

Apesar da iniciativa do EPA já ser esperada, a notícia de que ela poderá acontecer em breve mexeu com grupos ambientais e políticos, assim como causou certo receio entre empresários, que temem um caos regulatório.

O advogado sênior do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais John Walke reconhece a decisão como um esforço a mais para o combate ao aquecimento global e destacou que a iniciativa pode tornar possível uma nova legislação federal. “Nós veremos agora a EPA propor novas regulamentações e o Congresso deve se preparar para votá-las o mais cedo possível”, conta Walke.

Mas para o vice-presidente de meio ambiente e tecnologia da Câmara de Comércio dos EUA, Bill Kovacs, a inclusão dos gases do efeito estufa no Clean Air Act causaria um grande problema para todo o tipo de empresa. Segundo ele, milhares de negócios teriam que se adaptar a regulamentações severas de forma muito brusca, incluindo pequenos empresários e até produtores rurais, cujo gado produz metano.

“Seria necessário uma grande quantidade de novas permissões para abranger as emissões de CO2, não apenas as de SO2 e N2O. Além disso, elas precisariam ser liberadas sem burocracia, senão poderíamos ver mais um empecilho para a recuperação econômica tão desejada por todos”, alertou Kovacs.

Já a advogada do grupo ambiental Earthjustice, Abigail Dillen, não acredita que a economia norte-americana irá sofrer qualquer abalo. “A EPA tem competência para realizar as mudanças de forma racional. É do interesse das indústrias anunciar que o ‘céu pode cair’ toda a vez que é noticiada uma medida para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa”, concluiu Dillen.



Fonte: Herald Tribune / EPA

BNDES recebe primeira parcela do Fundo Amazônia doado pela Noruega

Por Luana Lourenço, da Agência Brasil




Brasília - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu ontem (25/03) a primeira parcela de recursos doados pelo governo da Noruega ao Fundo Amazônia, que vai financiar ações de combate ao desmatamento e recuperação da floresta. Os US$ 110 milhões repassados são a primeira parte da doação norueguesa, que deve chegar a US$ 1 bilhão até 2015.

O dinheiro vai financiar, a fundo perdido, iniciativas como manejo florestal, gestão de florestas, ações de controle e fiscalização ambiental, recuperação de áreas desmatadas e pagamento por serviços ambientais. Organizações não-governamentais, empresas, comunidades tradicionais e órgãos do governo poderão pleitear os recursos.

Os projetos serão analisados pelo BNDES, que deve efetivar o primeiro repasse nos próximos 60 dias. Os aportes individuais não deverão ultrapassar R$ 40 milhões, de acordo com o presidente do banco, Luciano Coutinho. “Queremos pulverizar os projetos, para atender diferentes perfis, de empresas a comunidades tradicionais. Vamos criar um espaço no site para começar a receber as propostas. Mas a idéia é criar um portal só para o fundo”, afirmou. O fundo vai ter ainda uma representação na subsidiária do BNDES em Londres para atender possíveis doadores.

Além da Noruega, a Alemanha já acertou a doação de 18 milhões de euros e, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pelos menos três países “estão na boca do pênalti” para fechar novos repasses.

A capacidade de investimento do fundo será calculada com base na redução de emissões de dióxido de carbono alcançada com a queda do desmatamento nos últimos anos, que será revisada periodicamente. Ou seja, o país só vai receber os investimentos se continuar comprovando as reduções.

Nos primeiros quatro anos, a referência será de 1,95 milhão de hectares por ano, média da área desmatada na última década. Esse limite servirá de linha de comparação para calcular o quanto as reduções anuais do desmate valerão em termos de compensação financeira. Em 2006, por exemplo, a área desmatada foi de 1,4 milhão de hectares, abaixo da referência. Com a diferença entre esses números, calcula-se a quantidade de carbono que deixou de ser emitido e quanto o Brasil vai receber por isso.

Mantido exclusivamente por recursos de doações – sem dinheiro do orçamento – o fundo não estará sujeito a contingenciamento, segundo Minc. Após assinar o contrato da doação, o ministro afirmou que a iniciativa da Noruega poderá servir de “exemplo de solidariedade” para contornar o “apartheid climático” entre os países ricos e as nações em desenvolvimento em relação a obrigações para enfrentar as mudanças climáticas.

“Esse tipo de cooperação pode ter efeito para o mundo. Com o fundo e com o Plano Nacional de Mudança do Clima, o Brasil passa a ter mais protagonismo e pode ser a ponte para romper esse apartheid climático”, disse Minc.



(Envolverde/Agência Brasil)

Inmetro realiza painel Cerificação Florestal

No próximo dia 03 de abril, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO promove o Painel Setorial Inmetro - Certificação Florestal e Biotecnologia.

O evento acontece no Campus Laboratorial de Xerém, em Duque de Caxias (RJ).

Estão sendo esperadas 200 pessoas de entidades privadas, associações, órgãos públicos, comunidade científica e acadêmica.